Notícias
A Burocracia de Viagem do Brexit, Explicada: As Regras de Passaporte e ETIAS que Apanham os Viajantes Britânicos
Tranquil view of an airport runway with the sun rising over distant mountains, casting a gentle glow.
Conteúdo do artigo
A Burocracia de Viagem do Brexit, Explicada: As Regras de Passaporte e ETIAS que Apanham os Viajantes Britânicos
Anos depois de o Reino Unido ter saído da União Europeia, a realidade prática de umas férias no continente ainda apanha desprevenidos viajantes experientes. As perguntas que surgem com mais frequência dizem respeito aos passaportes, à duração da estadia e a uma futura autorização em linha conhecida como ETIAS. Distinguir os factos dos rumores é importante, porque errar pode significar ser recusado no aeroporto antes mesmo de a viagem começar.
Eis um guia claro e simples das regras tal como estavam no início de 2025: o que realmente se aplica, o que ainda está por vir e os mitos que continuam a enganar as pessoas.
Photo by JÉSHOOTS on Pexels
A regra dos 90/180 e duas condições de passaporte distintas
Desde o Brexit, os cidadãos britânicos são tratados como «nacionais de países terceiros» aos olhos do bloco. Isso significa que não podem passar mais de 90 dias em qualquer período móvel de 180 dias no Espaço Schengen, que se estende para além da UE para incluir a Islândia, a Noruega, a Suíça e o Listenstaine. O cálculo apanha as pessoas: se chegar a 1 de janeiro, terá de partir até ao final de março, após o que não poderá regressar antes do final de junho. A Irlanda está fora deste sistema, pelo que as viagens para lá não contam para a sua quota.
Além do limite de tempo, duas condições de passaporte independentes aplicam-se às viagens a Schengen desde o início de 2021. Primeira, o seu passaporte não pode ter mais de dez anos no dia em que chega à UE. Segunda, no dia em que pretende regressar, deve ainda ter pelo menos três meses de validade antes da data de expiração impressa. São testes distintos, não uma única regra combinada. O popular atalho dos «nove anos e nove meses» é um mito — no entanto, parte do pessoal das companhias aéreas ainda acredita nele, e por vezes recusa-se erradamente o embarque a passageiros com a documentação em ordem. Em caso de dúvida, verifique você mesmo ambas as datas antes de viajar.
ETIAS e EES — os próximos passos adiados
Grande parte da ansiedade gira em torno do ETIAS, o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem. Quando estiver em funcionamento, exigirá que os nacionais de países terceiros, como os britânicos, se liguem em linha, forneçam alguns dados pessoais e paguem uma taxa de 7 €. É o equivalente europeu, há muito adiado, do ESTA dos Estados Unidos e da própria ETA do Reino Unido, e foi concebido como uma triagem prévia ligeira em vez de um visto completo.
Há, contudo, um senão: o ETIAS não pode começar enquanto o Sistema de Entrada/Saída (EES) da UE não funcionar de forma impecável em todo o Espaço Schengen. O EES — o esquema biométrico que regista cada entrada e saída — devia entrar em funcionamento em todo o continente em novembro de 2024, mas foi adiado indefinidamente. A previsão realista era a de que não seria plenamente pan-europeu antes do final de 2026, na melhor das hipóteses. A conclusão para quem viajasse para a Europa em 2025 era tranquilizadoramente simples: não havia nada de extra a fazer nem nada a pagar, porque o ETIAS ainda não estaria em vigor.
Photo by Eleonora Albasi on Unsplash
Casos especiais: Chipre, duplos nacionais e familiares
Algumas situações afastam-se do quadro habitual. Chipre é membro da UE mas, tal como a Irlanda, está fora do Espaço Schengen, pelo que dispunha da sua própria quota separada de 90 em 180 dias — uma peculiaridade útil para quem quisesse mais tempo ao sol. Esperava-se que essa brecha se fechasse assim que Chipre aderisse a Schengen, um passo previsto para mais tarde em 2025.
Os duplos nacionais têm a via mais fácil de todas. Muitos viajantes britânicos possuem também um passaporte da UE, frequentemente irlandês, que lhes permite contornar inteiramente estas regras e usar a fila Schengen, mais rápida. O conselho prático é reservar e viajar com o seu passaporte da UE, guardando o britânico para reentrar no Reino Unido — assim evita qualquer questão sobre a duração da estadia e, em breve, a necessidade de uma ETA. Tenha em conta que alguns países não permitem transportar dois passaportes ao mesmo tempo.
Por fim, os familiares de cidadãos da UE podem ter mais flexibilidade do que as regras gerais sugerem. Ao abrigo das disposições sobre livre circulação e vida familiar, um cônjuge não comunitário pode, em alguns casos, acompanhar o seu parceiro cidadão da UE por mais tempo; levar uma certidão de casamento e provas de que viajam juntos pode facilitar as coisas, embora os agentes apliquem estas regras de forma desigual de uma fronteira para a outra. Antes de qualquer viagem, vale a pena confirmar a sua própria situação face aos requisitos de elegibilidade oficiais para que não haja surpresas na porta de embarque.
Etiquetas:
Fonte:
Fontes de imagem:
- Imagem de cabeçalho: Photo by JÉSHOOTS on Pexels
- Imagem de teaser: Photo by Eleonora Albasi on Unsplash