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As filas na fronteira francesa vão duplicar com os novos controlos digitais da UE

27.08.2023 | Viagens

Woman enjoying Paris vacation at Eiffel Tower, France with a joyful smile and casual summer attire.

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As filas na fronteira francesa vão duplicar com os novos controlos digitais da UE

Os passageiros do Reino Unido que fazem fila na fronteira francesa podem esperar que o seu tempo de espera mais do que duplique quando forem introduzidos os controlos digitais para países de fora da UE, segundo um novo relatório. O alerta sublinha como o planeado Sistema de Entradas/Saídas (EES) da UE pode transformar a viagem transmanche — e quanta preparação será necessária para manter as filas controláveis.

Woman enjoying Paris vacation at Eiffel Tower, France with a joyful smile and casual summer attire. Photo by Dominique ROELLINGER on Pexels

O que o organismo de fiscalização concluiu

A França encomendou mais de 500 ‘quiosques de dados’ e 250 tablets para processar os viajantes, incluindo os passageiros de automóvel nos ferries, na esperança de reduzir as filas em aeroportos, estações e portos assim que o EES começar e as fotos e impressões digitais de milhões de pessoas tiverem de ser captadas. Depois de sair da União Europeia, os viajantes do Reino Unido que entram pela primeira vez no espaço Schengen precisarão de ter todos os seus dados e documentos processados.

Embora o sistema venha substituir a carimbagem manual dos passaportes, um relatório da Cour des Comptes — o organismo francês de fiscalização das finanças públicas — estimou que o registo inicial dos viajantes vai pelo menos duplicar os tempos de fila. Depois de passarem pelos quiosques, os viajantes ainda terão de mostrar o passaporte aos agentes fronteiriços. Os ensaios sugeriram que o novo processo poderia acrescentar cerca de dois minutos por pessoa, quer cheguem por via aérea ou marítima.

A preocupação do setor e o contexto do Brexit

O relatório sugeriu que a potencial perturbação poderia levar mais pessoas a atravessar o continente de avião, observando que ‘duplicar ou até triplicar o tempo de espera poderia levar alguns viajantes a optar pelo avião’. Paul Charles, diretor executivo da consultora de viagens The PC Agency, alertou que entrar na Europa tem de se tornar mais fluido, e não mais penoso, e que o processamento tem de ser mais rápido, ou os períodos de pico tornar-se-ão insuportáveis.

Passengers boarding an airliner during evening with a vibrant sky, showcasing travel and transportation. Photo by YEOCHAN LEE on Pexels

O correspondente de viagens Simon Calder atribuiu a culpa aos decisores do Brexit. Os planos do Sistema de Entradas/Saídas já estavam em curso na altura do referendo da UE, observou, e após o voto pela saída, o governo britânico negociou para que os titulares de passaporte britânico passassem a ser ‘cidadãos de países terceiros’ — e para fronteiras rígidas da UE em Dover e Folkestone. As filas observadas desde que o Reino Unido exigiu que todos os passaportes britânicos fossem verificados e carimbados, argumentou, não deveriam surpreender ninguém, e o processo tornar-se-á mais difícil quando as impressões digitais e a biometria facial forem obrigatórias.

Um projeto muito adiado

As propostas de fronteiras inteligentes foram apresentadas pela primeira vez pela UE em 2015 e formalmente adotadas no início de 2016 — meses antes do referendo do Brexit. O sistema sofreu desde então atrasos repetidos e, à data deste relatório, não se esperava a sua implementação antes de 2025. Para os viajantes, a conclusão prática é compreender os novos controlos com antecedência; pode ler uma visão geral de como o EES vai funcionar para saber o que esperar na fronteira.

Fontes de imagem:

  • Imagem de cabeçalho: Photo by Dominique ROELLINGER on Pexels
  • Imagem de teaser: Photo by YEOCHAN LEE on Pexels