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Dover avisa que a burocracia fronteiriça pós-Brexit pode sobrecarregar o porto até à Páscoa
Colorful floor art in the terminal at Orlando International Airport, Florida.
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Dover avisa que a burocracia fronteiriça pós-Brexit pode sobrecarregar o porto até à Páscoa
Enquanto milhões de viajantes enfrentavam atrasos num feriado prolongado, o diretor executivo do Porto de Dover emitiu um aviso contundente: os duros novos controlos fronteiriços da UE podem deixar o grande entroncamento de transportes a custo a dar resposta à procura para além da Páscoa do próximo ano. Doug Bannister descreveu como será o futuro das viagens de ferry de Dover para França quando começar o registo biométrico.
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Porque é que Dover está particularmente exposto
Dover é o porto com mais tráfego de passageiros da Europa Ocidental, movimentando cerca de 10 milhões de passageiros, 2 milhões de automóveis e 70.000 autocarros por ano. É também o único porto do Reino Unido com controlos ‘justapostos’, em que os agentes fronteiriços franceses autorizam os viajantes para Calais e Dunquerque enquanto ainda estão em solo britânico. Desde o Brexit, formaram-se longas filas porque a polícia francesa tem de verificar e carimbar cada passaporte britânico.
A partir de novembro, o Sistema de Entradas/Saídas da UE (EES) vai exigir que cada viajante britânico forneça impressões digitais e uma biometria facial. O crucial é que, embora a maioria dos viajantes à partida seja processada à chegada ao espaço Schengen, os automobilistas e os seus passageiros em Dover têm de ser registados antes da partida — num porto que nunca foi concebido para tais controlos.
Uma cobertura, tablets e autocarros selados
Para lidar com a mudança, os turistas britânicos de automóvel serão encaminhados para debaixo de uma cobertura gigante em construção nos Eastern Docks. Aí, funcionários com tablets registarão os dados do passaporte, farão algumas ‘perguntas Schengen’ sobre a viagem e recolherão duas biometrias: impressões digitais e reconhecimento facial. Após o registo, os condutores seguem para os controlos fronteiriços existentes.
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Os passageiros de autocarro serão processados separadamente nos Western Docks; depois de autorizado, cada autocarro é selado e conduzido pela cidade com os passageiros, na prática, em território francês — uma técnica outrora usada para o trânsito entre a Alemanha Ocidental e Berlim Ocidental. Bannister disse que a infraestrutura deveria aguentar do lançamento até à Páscoa, mas avisou que será ‘inadequada’ para o volume total esperado no próximo verão, quando mais de 37.000 passageiros podem partir nos dias de maior movimento.
Investimento do setor e o caminho a seguir
Os operadores estão a gastar muito para se prepararem. A Eurostar investiu cerca de 9 milhões de libras e está a instalar cerca de 65 quiosques de pré-check-in em St Pancras e na Gare du Nord, enquanto a Eurotunnel diz ter gasto mais de 70 milhões de libras em zonas EES dedicadas com 224 quiosques nos seus terminais do Reino Unido e de França. Bannister sublinhou que um ‘ensaio em condições reais’ antes da transição de 10 de novembro é essencial, dado o risco tecnológico de um sistema por testar.
O EES é o primeiro grande passo do há muito adiado projeto de fronteiras inteligentes da UE. Cerca de seis meses depois de funcionar com sucesso, o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem (ETIAS) começará a ser implementado, acrescentando uma autorização prévia para os visitantes de fora da UE. Os viajantes podem ler uma visão geral de como o EES e o ETIAS vão funcionar para se prepararem para os novos controlos.
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